Quando pisei com meu salto agulha no último degrau, bem em cima da palavra SWING, a surpresa me dominou.
Aquele lugar era completamente diferente de tudo o que eu pudesse imaginar. Bem em frente à escada ficava o banheiro, e o Lucas me deixou sozinha por alguns minutos enquanto ia até lá. Sentei-me em um sofá branco posicionado bem próximo dali.
Todas as paredes eram pintadas de preto, não haviam janelas e o ar-condicionado estava no máximo. Tudo era muito gelado. A iluminação lembrava uma festa de Halloween, composta por luzes de neon e ultravioleta que faziam as roupas brancas brilharem intensamente no escuro. Em alguns momentos, o reflexo fluorescente era a única coisa que se conseguia ver das pessoas.
Eu acreditava que passaríamos totalmente despercebidos com nossas roupas pretas naquela noite. Mas os olhares dos homens orbitando o sofá branco provaram o contrário. Eles ficaram ali, passando perto de onde eu estava, embora nenhum tenha tentado se aproximar ou me incomodar.
Logo o Lucas voltou com as mãos ainda molhadas, tive a impressão de que ele se esforçou para voltar o mais rápido possível para não me deixar sozinha e nem secou as mãos direito. Ele segurou a minha mão firme, e então começamos a “passear” pelo labirinto do segundo andar.
Passamos por várias cabines — caixotes feitos com uma madeira fina, também pintados de preto por dentro e por fora. Elas se diferenciavam pelo tamanho: algumas tinham uma cama no centro, outras traziam sofás laterais parecidos com os do piso inferior.
Bem no meio daquele salão, havia uma cama redonda, totalmente exposta, sem nenhuma parede em volta, feita justamente para que todos pudessem assistir ao que acontecesse lá.
Naquela hora, pensei comigo mesma que jamais chegaria perto daquela cama redonda. Mal sabia eu das noites futuras em que disputaria espaço naquela lona fria e preta, sem me importar se havia sido higienizada ou não, após ser usada por vários casais sedentos de prazer.
Mais adiante, notei alguns homens disputando espaço pelo lado de fora de outras cabines. Minha inocência me fez pensar que eles estavam apenas espiando o ato comum: casais se encontram, entram e transam, enquanto outros assistem. Quanta ingenuidade! O Lucas também começou a espiar e me aproximou de uma cabine que tinha buracos na madeira, em cima e embaixo.
Quando olhei para dentro, vi dois casais se tocando entre si. Mas o choque real veio quando olhei para os buracos da parte inferior: haviam pênis ali, atravessando a parede, pertencentes aos homens que estavam se empurrando e espiando no corredor.
Fiquei assustada. Soltei a mão do Lucas e dei dois passos para trás, encostando as costas na parede. Acredito que meus olhos verdes estavam tão arregalados pelo susto que ele imediatamente me puxou para a última cabine do corredor, fechou a porta e me abraçou.
Ele segurou meu rosto com as duas mãos — um gesto que ele sempre faz quando quer me dizer algo muito importante ou antes de me dar aqueles beijos profundos que me fazem saltar do chão. Olhando fixamente nos meus olhos, em meio à penumbra da cabine fechada, ele disse:
“Nada do que acontecer aqui vai mudar o que eu sinto por você. Seu corpo, suas regras. Se permita. Mas saiba que vai bastar você dizer uma vez “vamos embora” que nós iremos. Nós entramos juntos e vamos sair juntos daqui, de mãos dadas. Eu te amo. Você é meu fechamento!”
Por alguns segundos, quando ele mencionou a chance de ir embora, eu cogitei sair correndo agora que descobri que aquele lugar era uma casa de swing.
Mas a curiosidade de estar ali com ele era maior que o meu medo. Eu não estava pronta para participar ou viver algo tão liberal como estava vendo os outros casais nas cabines, eu queria apenas me permitir espiar, jurando que aquela noite seria apenas para olhar o que os outros faziam.
O mundo lá fora pareceu sumir. Então, o Lucas me beijou com um tesão absurdo. A língua quente dele buscava a minha, e aquelas mãos másculas me seguravam com uma mistura de firmeza e cuidado. Todo aquele ambiente proibido, a curiosidade pelo desconhecido e o coração batendo forte por aquele “Eu te amo” me transformaram. Senti-me a mulher mais desejada do
mundo.
De alguma forma, era especial estarmos juntos ali, descobrindo aquele lugar e nos permitindo avançar em um sexo que já era esplêndido entre nós.
Enquanto nos beijávamos loucamente, com o tesão queimando nas minhas entranhas, as mãos dele deslizaram pelo meio das minhas pernas. Ele tirou a minha calcinha com agilidade e a guardou no bolso. Continuamos nos beijando. Por mim, seríamos apenas eu e ele ali dentro, no máximo com alguém nos espiando pelo visor.
Até que ouvimos duas batidas leves na madeira:
Toc-toc!
“Somos um casal, podemos entrar?”