O quarto estava em silêncio. O Lucas terminou de ler as primeiras páginas que escrevi sobre a nossa primeira noite no swing, me olhou e disse que tinha voltado no tempo. Ficou impressionado como me lembro de cada detalhe.
Foi aí que ele me fez a pergunta que mudou tudo:
— Se você fosse mostrar esses textos para alguém, para quem você mostraria?
Naquele segundo a ficha caiu. Percebi o quanto essa descoberta é solitária.
Eu olhei para o lado e vi que não tinha ninguém. Ninguém no mundo real para quem eu pudesse ligar e contar o que vivi. Se uma amiga do meu círculo social lesse aquilo, sei que nem falaria mais comigo. Se afastaria por tabu, por reputação, por medo de o marido descobrir ou de ela mesma contar e ele passar a me olhar diferente.
Antes de criar coragem de escrever nesse blog, revirei a internet atrás de relatos de mulheres que frequentam esse mundo. Só encontrei vídeos rasos de casais explicando regras ou relatos puramente sexuais. Mas eu não queria isso. Eu queria saber dos medos. Queria saber como foi para eles estarem ali pela primeira vez, como diziam não, se o casamento esfriou ou esquentou, como lidavam com o ciúme… Eu só queria um bate-papo com uma amiga que já tivesse vivido isso que vivi e se ela também passou pelas mesmas dúvidas e emoções que eu.
Mas percebi que, no meu grupo, a única ousada sou eu. E se me descobrirem, perderemos a amizade delas e deles. Acho até que teremos que nos mudar de cidade, rs.
Foi por isso que decidi compartilhar essa experiência com você. Se você também estiver se sentindo sozinha como eu me senti, olhando para esse mundo de fora ou sem ter com quem conversar… a partir de agora não estaremos mais sós.
Seremos eu e você. E eu vou te contar, do meu jeito, como foram as nossas 101 noites nesse universo das casas de swing.
Me conta aqui nos comentários:
Você também já se sentiu sozinho ou sozinha guardando um desejo ou um segredo que ninguém no seu círculo social entenderia? (Pode usar um nome fictício, seu anonimato está seguro aqui).