Lembra que o DJ havia anunciado que em quinze minutos haveria um show de strip-tease? Pois é, isso aconteceu enquanto estávamos na primeira cabine. Logo após a apresentação, todos aqueles casais que ocupavam o piso inferior e aguardavam ansiosamente pelo espetáculo subiram em massa para o segundo andar. O clima mudou completamente na casa de Swing. De repente, era gente gemendo para todos os lados. O som ambiente agora era uma mistura de tapas ecoando, sussurros e vozes femininas inflamadas gritando: “Gostoso! Fode! Come sua puta!”.

A calmaria do início desapareceu. Agora formava-se até fila para os homens colocarem o pênis nos buracos das paredes, e as cabines passavam a abrigar dois ou três casais de uma só vez. Aquela cama redonda no centro do salão, que antes estava totalmente vazia, agora se encontrava lotada de pessoas se misturando. Foi ali que vi, pela primeira vez na vida, duas mulheres se beijando na minha frente.

Frequentando casas de swing ao longo do tempo, passei a perceber que homens se beijando ou interagindo em ambientes abertos não é algo comum — na verdade, só vi acontecer uma única vez. Talvez porque esse meio ainda guarde traços de um ambiente machista, moldado em grande parte para realizar as fantasias masculinas, onde as mulheres pegam uma carona realizando seus próprios desejos ao irem com seus maridos.

Naquele momento, transitar pelo corredor era um desafio. Havia tanta gente que passávamos uns pelos outros literalmente nos esbarrando e nos esfregando, embora ninguém tenha me tocado com má intenção. Ficamos em pé em uma das salas abertas, observando o fluxo de pessoas entrando e saindo. O Lucas me puxou para um canto e começamos a nos beijar com paixão. Um homem se aproximou, parou ao nosso lado e ficou nos observando fixamente. De repente, ele quebrou o silêncio e disse: “Que tesão que vocês dois têm! Nunca percam isso, é difícil de se ver. Preservem essa essência”. E sumiu na multidão. Nunca mais o vi.

O Lucas estava achando tudo aquilo o máximo. Ele queria explorar, olhar cada detalhe, observar as cabines, as mulheres nuas, os homens excitados e os casais trocando de posição. Foi quando uma mulher passou por mim e tocou sutilmente a minha mão. Foi um toque tão singelo, delicado e lento que, diante de todo aquele alvoroço ao redor, destacou-se imediatamente. Comentei com o Lucas: *“Aquela mulher me tocou”*. Ele, sempre mais atento, já entendeu o sinal e perguntou: “Qual?”. Mas ela já havia se misturado ao público.

Continuando a ser empurrados pelos “vampiros da meia-noite”, o Lucas resolveu entrar em uma cabine que já estava ocupada por um casal. A porta estava aberta, o que no código do swing é um sinal claro de que o espaço aceita companhia. Assim que entramos, eles fecharam a porta.

A mulher se aproximou e começou a me acariciar, enquanto o companheiro dela apenas observava. Naquela época, eu tinha algumas inseguranças com o meu corpo; não gostava muito dos meus seios, achando-os um pouco flácidos quando os comparava aos meus de dezesseis anos ou aos seios com próteses de silicone que via em tantas mulheres. Aquela moça pediu permissão para me tocar e eu consenti. Ela puxou delicadamente o decote do meu vestido, expondo meu busto para o acompanhante dela — àquela altura, eu já não sabia mais quem era casado, solteiro ou apenas amigo curtindo a noite.

Ela olhou para mim e disse com admiração: “Que seios lindos ela tem!”, e começou a beijá-los. Eu já tinha ouvido elogios parecidos de vários homens, mas ouvir de uma mulher foi completamente diferente. Mulheres também têm seios, sabem como o corpo muda, e nenhuma outra mulher tinha visto ou elogiado os meus daquela forma. Embora eu sinta um tesão descomunal quando meus mamilos são estimulados, não senti prazer físico ali; parecia apenas alguém passando a língua na minha pele. Não houve nojo ou repulsa, foi apenas um momento de descoberta, mas guardei aquele elogio sincero comigo.

Os dois estavam excitados vendo duas mulheres interagindo, apesar de eu estar encostada na parede, paralisada como uma estátua. E o Lucas, com o tesão nas nuvens ao ver a cena, incentivou: *“Beija a boca dela”*. A moça veio em minha direção para me beijar, mas eu virei o rosto por puro instinto. Ela não se importou; continuou beijando meu pescoço, minha orelha, até que o beijo na boca acabou acontecendo. O Lucas começou a se masturbar, me puxou e direcionou meu foco para ele, enquanto o outro casal iniciava o sexo oral entre si.

A moça sugeriu uma troca completa de casais, mas eu sentia que já era informação demais para a minha cabeça assimilar em uma única noite. Eu queria uma dinâmica justa, um pelo outro, e decidi que não queria mais fortes emoções. Olhei para o Lucas e disse que queria sair dali. Ele acatou imediatamente. Deixamos os dois na cabine e, assim que saímos, outro casal ocupou o espaço, fechando a porta novamente.