​Era uma noite de sábado normal, como todas as outras haviam sido até aquele dia. Quando meu marido me chamou para darmos uma volta e sugeriu que eu colocasse aquele vestidinho preto, eu não imaginei que a peça que eu costumava usar apenas para seduzi-lo entre quatro paredes seria alvo de tanto desejo e volúpia logo mais.

​Já estava tarde, e sairmos de casa naquele horário não era comum. Como moramos em uma cidade litorânea, fiquei imaginando o que ele pudesse estar tramando… Será que ele queria transar na praia? Por que usar o vestido mais curto que tenho para sairmos tão tarde? Será que ele ia me levar a um motel diferente?

​Várias perguntas passavam pela minha cabeça enquanto ele seguia as coordenadas do GPS. Passamos por uma orla linda; a imensidão do mar me hipnotizou. Sentia a brisa do mar nos meus cabelos loiros cacheados e via o brilho discreto dos meus olhos verdes refletindo no vidro, contrastando com as espumas das ondas. Cheguei a me esquecer do motivo misterioso daquele passeio, até que a voz robótica do aplicativo anunciou, quebrando o silêncio do carro: “Você chegou ao seu destino!”.

​Ele estacionou e desligou o rádio — que eu só percebi que estava ligado naquele exato momento. Olhou para mim e disse:

— Vamos!

​Meus olhos ainda buscavam por uma praia, mas já havíamos passado da orla. Busquei por um letreiro de motel, mas não havia nenhuma luz piscando. Era uma rua escura, com vários carros estacionados. Achei estranho ver tantos carros importados parados em uma rua tão deserta; aquilo definitivamente não era comum.

​Instintivamente, peguei uma jaqueta que estava no banco de trás. Queria me cobrir. De repente, me senti envergonhada por usar um vestido tão curto ali, no meio da rua. Mas ele segurou minha mão, me pediu para deixar a jaqueta no carro e disse que eu estava linda. Com todo o carinho, ajeitou meus cabelos, colocando os cachos loiros para a frente, acima do meu busto, bem do jeito que ele gosta. Segurou minha mão firme e começamos a caminhar em direção a uma entrada onde havia um homem alto, elegante, vestido com um terno preto impecável. A porta era grande e imponente, e a fachada do local não dava nenhuma pista do que poderia haver através daquelas paredes negras como a noite.

​O homem nos cumprimentou:

— Boa noite!

​Perguntou os nossos nomes e meu marido respondeu prontamente:

— Lucas e Sofia.

​Senti um alívio imediato no peito. Pensei comigo mesma: “Se ele deu os nossos nomes verdadeiros, não deve ser nada clandestino”. Cheguei a rir de mim mesma e do meu próprio nervosismo naquela hora.

​Logo percebi que o homem de terno era um segurança. Ele revistou o Lucas, nos entregou uma comanda e abriu a grande porta para entrarmos.

​Passamos por um corredor e nos deparamos com mais uma porta, dessa vez de vidro. Ao cruzá-la, o mistério acabou: chegamos a um bar vibrante, cheio de luzes e LEDs coloridos no teto. Havia várias mesas e um sofá de canto imenso que contornava quase todo o salão. Dezenas de casais conversavam animadamente em seus lugares, como se estivessem esperando por algo que estava prestes a começar. No centro, havia um palco com um pole dance; no fundo, um bar imenso com muitas bebidas, espelhos e luzes, comandado por um DJ que animava a festa com música alta. Reparei no equilíbrio da garçonete: ela usava uma roupa ousada, muito parecida com as fantasias que eu costumava usar apenas entre quatro paredes com o meu marido…

​Fiquei estática por alguns segundos, tentando processar. Que lugar era esse? O que se faz aqui? Por que o Lucas me trouxe aqui?

​Mas ele continuou segurando a minha mão com firmeza, me guiando. Nos sentamos e ficamos ali, com cara de paisagem, observando cada detalhe. Eu olhava para as pessoas tentando decifrar o ambiente, mas a verdade é que elas não faziam nada de mais. Todos se comportavam como se ali fosse um barzinho qualquer de fim de noite.

​O clima de normalidade que estava me acalmando quebrou de repente, quando a música mudou e o DJ anunciou no microfone:

— Ladies and gentlemen… em 15 minutos, o show de striptease mais esperado do ano com eles: Fernando e Jhennifer!

​O salão explodiu. As pessoas começaram a assobiar, gritar e fazer barulho; dava para ver que todos esperavam ansiosos por aquele momento.

​Foi então que o Lucas se levantou, olhou bem nos meus olhos verdes e, com um sorriso enigmático, me chamou:

— Vamos lá para cima.

​Eu me levantei e instintivamente ajeitei meu vestido. Tentei puxá-lo para baixo, querendo ver se cobria algo mais, mas ele realmente era muito curto. Era um modelo de malha que desenhava cada uma das minhas curvas, assentando perfeitamente nos meus quadris e deixando a região da cintura com uma leve folga — quase como se estivesse chamando por um toque. No busto, o tecido ficava bem esticado, e o decote em V deixava meus seios discretamente à mostra.

​Enquanto eu estava tentando puxar a barra para cobrir um pouco mais das coxas, olhei para o lado. Pelo reflexo do espelho, percebi que vários casais me observavam logo atrás… Era um olhar diferente de tudo o que eu já tinha visto na vida. Eram como vampiros que finalmente encontram sangue. O que mais me impressionou foi que as mulheres também me olhavam, e nenhuma delas parecia ter ciúmes dos maridos que fixavam os olhos em mim.

​Naquele instante, desisti de esticar o tecido. Endireitei o corpo, respirei fundo e, como uma verdadeira lady, caminhei em direção a mais uma porta: a porta que nos apresentou à escada que, naquela noite, mudaria o significado daquele lugar para sempre.

​Lucas abriu a porta e me vi diante de uma escada de aproximadamente trinta degraus. A cada dois degraus, havia uma palavra escrita no chão. Conforme o meu salto alto estalava em cada degrau, meus olhos iam lendo as palavras que me sopravam a verdade nua e crua sobre tudo o que eu encontraria lá em cima.

​Não lembro a ordem exata em que elas surgiam, mas a coreografia daquela subida era desenhada por termos como:

Sexo…

Desejo…

Segredos…

Fantasias…

Voyeur…

Malícia…

Tesão…

Fetiche…

Pecado…

Tentação…

Ménage…

​Até que pisei no último degrau. E lá estava escrito, em letras garrafais:

SWING.